BlogTomas Gurovich30 de mai. de 2024

Como planejar a implementação da sua ferramenta de Product Analytics

Depois de implementar o Mixpanel com mais de 50 startups na América Latina, o padrão é claro: os times que pulam a etapa de planejamento pagam o preço depois — em dados sujos, métricas que não dá pra construir e zero confiança nos dashboards. Este é o framework que usamos pra evitar isso.

O erro mais comum: instrumentar antes de planejar

O erro mais comum que vemos é o time de engenharia começar a integrar e trackear eventos sem ter passado por uma etapa de planejamento.

Quando essa etapa é pulada, os mesmos sintomas aparecem sempre:

Custos altos e ferramenta inutilizável

Trackear todas as ações possíveis que um usuário pode realizar no produto enche o Mixpanel de ruído. O custo sobe e a ferramenta fica mais difícil de operar.

Métricas que não dá pra construir

Na hora de responder uma pergunta de negócio, você descobre que faltam eventos ou propriedades-chave. A engenharia precisa instrumentar coisas novas — e o ciclo se estende.

Times desalinhados, dados sem confiança

Cada fonte de dados (Web, Android, iOS, backend) é integrada por um time diferente. Sem definições compartilhadas, os nomes dos eventos divergem, as semânticas mudam e ninguém confia mais nos dashboards.

Quem precisa estar na etapa de planejamento

Antes de escrever uma única linha de código, o lado de negócio — Produto, Marketing, Growth, ou quem for usar o Mixpanel depois — precisa sentar e definir, nessa ordem:

1. Quais perguntas de negócio você quer responder

Casos de uso concretos. Não "queremos entender o usuário", mas "queremos saber qual percentual de usuários ativa a feature X na primeira semana".

2. Quais métricas você precisa pra respondê-las

A partir de cada pergunta, quais métricas você precisa construir no Mixpanel. Aqui se define o que medir, não como.

3. Quais eventos e propriedades você precisa pra construir essas métricas

Só nesse passo descemos pra camada de tracking: quais eventos disparar, quais propriedades de evento e de usuário anexar, quem é responsável pela instrumentação de cada um.

O output: um Tracking Plan

O resultado desse planejamento é um Tracking Plan — um documento vivo onde fica especificado, pra cada evento que o time de desenvolvimento vai trackear: nome, definição, gatilho, propriedades associadas e responsável.

Não é uma planilha que se preenche uma vez e se arquiva. Ela evolui sempre que o produto muda ou aparecem novas perguntas de negócio.

O framework que recomendamos

Existem vários frameworks pra chegar num Tracking Plan sólido. O que a gente usa é o Key Entities & Activities: identificar as entidades centrais do produto (usuário, organização, transação, conteúdo…) e as atividades-chave que acontecem sobre elas. A partir daí, os eventos e propriedades caem naturalmente.

Vamos entrar em detalhe nesse framework em posts futuros. Stay tuned.

Fechamento

Pular a etapa de planejamento parece mais rápido no começo. Mas a dívida técnica de um tracking mal pensado se paga por anos: em custos da ferramenta, em projetos de migração, em analistas brigando com os dados sempre que precisam responder algo novo.

Uma semana de planejamento economiza meses de retrabalho.

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