Volte a confiar nos dados da sua ferramenta de product analytics
Se você não confia nos dados do Mixpanel, Amplitude ou Pendo, o problema não é a ferramenta. É a implementação. Contamos o que quebra e como consertar.
Não confia nos dados que sua ferramenta de product analytics mostra? Você provavelmente está culpando a ferramenta.
Mixpanel, Pendo, Amplitude, GA. Tanto faz qual.
A conclusão mais comum é "vamos migrar para outra". Isso não resolve nada.
Você vai migrar e vai ter os mesmos problemas que tinha antes.
Porque a ferramenta não é o problema. A implementação é.
Sem uma implementação limpa, você nunca vai confiar no que ela mostra. Nenhuma ferramenta.
Você vai usar pela metade. Vai validar cada número com outra fonte. Vai perder confiança no caminho.
E isso, antes de mais nada, custa tempo e eficiência.
Os erros que quebram a confiança nos seus dados
Os mesmos erros aparecem de novo e de novo, em implementações diferentes, em empresas diferentes.
Eventos duplicados. O mesmo evento disparado duas vezes (uma tag colada duas vezes, back e front mandando a mesma coisa sem saber). Infla qualquer métrica que você olhar.
Taxonomia inconsistente. Um evento tem um nome no iOS e outro no Android, ou um nome diferente do que está na documentação. Ninguém sabe qual é o correto.
Identificação quebrada. Múltiplos IDs para o mesmo usuário, sem processo de merge entre o perfil anônimo e o identificado. O mesmo usuário aparece como duas pessoas diferentes.
Timestamps e fusos horários errados. Eventos que aparecem no dia ou horário errado. Quebra qualquer análise de coortes ou funis com janela de tempo.
Dev, QA e produção misturados. Dados de teste contaminando os relatórios reais. Ninguém filtra, ninguém sabe o que é ruído e o que é real.
Propriedades com tipo incorreto. Um número que chega como string, uma data que chega como texto livre. Quebra filtros, quebra segmentos, quebra relatórios.
UTMs perdidos, atribuição quebrada. Você não consegue saber de onde veio um usuário, então não consegue saber qual campanha funciona e qual não.
Muitos clicks, poucos eventos de valor. Centenas de eventos de interação sem sentido de negócio, e nenhum que diga se o usuário chegou a um momento de valor real.
Com uma implementação assim, você não consegue confiar nos dados.
Então a ferramenta não serve pra você.
Por que isso acontece (o padrão real)
A má implementação técnica quase sempre vem de um mau planejamento de eventos, e do time de tecnologia não estar envolvido no projeto desde o início.
Implementar tracking não é simples. É preciso definir:
O que cada evento significa.
Quando ele dispara.
Como é enviado: do back ou do front.
Quais propriedades ele carrega.
E isso se multiplica porque quase nunca é só um time que implementa. São várias células (back, web, iOS, Android) que precisam ficar alinhadas e padronizadas entre si.
Quando essa coordenação não recebe tempo de verdade, você "economiza" tempo hoje e paga com juros depois: retrabalho, atrasos, e o time de negócio desconfiando dos números.
Esse padrão se repete em variantes diferentes:
A migração apressada. Um time muda todo o tracking de uma ferramenta para outra sob pressão de prazo. Ninguém para pra pensar quais perguntas de negócio precisam ser respondidas. O resultado, meses depois: milhares de eventos, a maioria sem uso real, e o time de negócio sem confiar em nenhum relatório.
A troca de ferramenta como solução. Um time com 6, 7, 8 ferramentas de dados já no stack decide que o problema é qual CDP ou qual analytics estão usando, e avalia migrar. O planejamento do que cada time realmente precisa ver (e por quê) nunca foi feito, em nenhuma das ferramentas.
A infraestrutura escalando sem ninguém olhando. O volume de usuários e eventos cresce mês a mês, ninguém ajusta a implementação, e as falhas de envio ou captura ficam invisíveis até alguém de fora revisar os logs.
O fix: auditoria técnica + tracking plan + reimplementação
Para reimplementar sua ferramenta atual, ou implementar uma nova, não existe atalho. É preciso cobrir esses 6 pontos.
1. Planejar os eventos e propriedades a trackear, com uma taxonomia padronizada.
2. Identificar a fonte de cada evento: back, front, ou ambos.
3. Definir o user_id e o identity management. Em que momento você identifica o usuário e como faz o merge do perfil anônimo com o identificado. Isso é CHAVE.
4. Alinhar todo o plano com o time de tecnologia. Não manda só uma planilha. É preciso revisar cada definição em detalhe, juntos.
5. Implementar e testar em QA.
6. Só depois que o teste em QA fechar, ir para produção.
O tracking plan não é o primeiro passo. É o output de ter definido bem os 3 primeiros pontos.
Sem essa ordem, você acaba reimplementando a mesma coisa errada, duas vezes.
Se você não resolver isso, vai querer trocar de ferramenta. E vai acontecer de novo.
É o padrão que mais vemos: migram do Mixpanel para o Amplitude, ou do Amplitude para outra coisa, esperando que a troca sozinha resolva o problema.
Mas se a implementação nova for feita com a mesma pressa e sem o mesmo trabalho de base, em seis meses você está no mesmo lugar. Só com outra logo em cima do dashboard.
Centralizado não é a mesma coisa que confiável.
A ferramenta não vai te salvar de um mau planejamento. E um bom planejamento funciona com qualquer ferramenta.
Isso está acontecendo com você agora? Se quiser, vamos conversar.

