A Clip, plataforma líder de comércio digital no México, passou de dados apenas transacionais para visibilidade total do comportamento dos usuários com Mixpanel e a implementação da Bildung Data.
O México ainda é um mercado cash-first: cerca de 80% dos negócios locais operam principalmente em dinheiro, e quase 40% dos adultos estão fora do sistema financeiro formal. Fechar essa lacuna é a missão central da Clip. Como a plataforma líder de comércio digital no México, a empresa está construindo o "sistema operacional do comércio mexicano", unificando software, pagamentos e serviços financeiros.
Lucas Parente, Group Product Manager, lidera três verticais críticas de produto na Clip: pagamentos presenciais, pagamentos remotos e integrações. Com formação em engenharia civil e experiência escalando operações de dados e integrações de pagamento na Rappi, Lucas encara os desafios de produto com uma visão de infraestrutura: prefere resolver os problemas na raiz em vez de simplesmente lançar features rápido.
O desafio: dados transacionais sólidos, mas um ponto cego no comportamento do usuário
A Clip sempre foi uma organização data-driven, mas tinha um ponto cego importante. O time tinha métricas transacionais sólidas — volume de transações, TPV — mas não tinha visibilidade sobre o que acontecia antes de uma transação ocorrer: de onde vinham os usuários e onde eles travavam. Essa falta de contexto comportamental se tornou impossível de ignorar e motivou a adoção da Mixpanel em toda a organização.
“A gente tinha muito dado duro de negócio, mas o que acontecia antes de uma transação ser criada, de onde vinham os usuários, onde eles travavam… a gente não tinha esse tipo de visibilidade.”
Por que Mixpanel
O software de analytics que a Clip usava não conseguia acompanhar as necessidades dos times, que mudavam rápido. Em vez de adotar mais uma ferramenta isolada, a Clip precisava de uma plataforma unificada que atendesse Produto, Negócio e Engenharia ao mesmo tempo, eliminando silos de dados. Três critérios definiram a decisão: flexibilidade de visualização (as ferramentas alternativas eram rígidas demais para as análises comportamentais complexas que o time precisava), granularidade de evento e propriedade (poder detalhar uma propriedade específica dentro de um funil foi decisivo), e segurança de dados (como fintech, a Clip precisava de garantias rígidas de que os dados sensíveis ficariam protegidos — a Mixpanel atendeu a esse padrão).
“As ferramentas que usávamos antes eram muito limitadas, principalmente para análises no nível de propriedade dentro de um funil. Desde que migramos para a Mixpanel, tem sido incrível.”
Implementação: funis mapeados em menos de uma semana
Para acelerar a adoção, a Clip fez uma parceria com a Bildung Data, parceira de implementação da Mixpanel, para conduzir workshops práticos. Cada time de produto escolheu um fluxo real como prova de conceito: o time da Bildung baixou o app da Clip, criou uma conta de comerciante e simulou cada fluxo de ponta a ponta junto com os engenheiros da Clip. Essa abordagem prática — trabalhar em cima de casos reais em vez de exemplos genéricos — foi o que levou a Clip de zero a funis totalmente mapeados em menos de uma semana, permitindo que a adoção se espalhasse organicamente de Produto para Negócio e Engenharia.
“Da implementação dos eventos até a visualização deles, mapeamos os funis completamente em menos de uma semana.”
O catalisador: o lançamento do Tap to Pay
O Tap to Pay não nasceu em um deck de estratégia — começou com uma observação crítica. Os menores comerciantes da Clip, os que mais precisavam de pagamentos digitais, enfrentavam as maiores barreiras para adotá-los. O custo inicial, a curva de aprendizado e a logística de comprar leitores de cartão físicos criavam muita fricção, deixando de fora os micronegócios mais vulneráveis do México. Ao mesmo tempo, Apple e Google abriram suas APIs de NFC, tornando possível transformar um smartphone em um ponto de venda. O time de produto da Clip juntou as peças: por que obrigar os comerciantes a comprar hardware extra se o celular que eles já têm no bolso pode rodar o negócio? O desafio não era só de produto: era preciso resolver, ao mesmo tempo, o comportamento do NFC que varia muito entre marcas e modelos de celular, desenhar uma interface intuitiva o suficiente para um comerciante que nunca tinha aceitado um pagamento digital, e cumprir exigências regulatórias complexas, já que a Clip lançou o Tap to Pay como parceira oficial da Apple, coincidindo com a Copa do Mundo.
“Hoje a Mixpanel é o ponto de partida para qualquer discussão de produto. Antes de decidir o que vamos priorizar, qual fluxo redesenhar ou qual feature lançar, a gente sempre usa a Mixpanel para decidir.”
Mixpanel em ação: o motor de decisões de produto da Clip
Antes, resolver a reclamação de um comerciante exigia cruzar manualmente tickets de suporte, logs de atividade do backend e tabelas de banco de dados. Hoje a Clip trabalha com duas frentes distintas: alertas proativos, em que a Root Cause Analysis da Mixpanel detecta anomalias automaticamente e dispara alertas no Slack e por e-mail quando uma métrica foge do padrão esperado; e diagnóstico reativo, em que o time consegue reconstruir a atividade de um comerciante segundo a segundo para isolar bugs com precisão. As reuniões executivas também mudaram: antes dependiam de slides estáticos, e perguntas inesperadas ficavam pendentes até a semana seguinte. Agora, se surge uma pergunta fora do que foi preparado, o time entra na Mixpanel e puxa o dado na hora. Essa mudança foi colocada à prova no lançamento do Tap to Pay: o time instrumentou o funil inteiro antes de escrever uma linha de código, e nas primeiras 48 horas identificou uma queda de conversão em modelos específicos de Android. Graças a essa visibilidade, o time de engenharia lançou uma correção em menos de 48 horas — antes que a primeira reclamação de cliente fosse registrada.
“Isso bateu forte na nossa conversão. Mas mesmo antes das reclamações começarem a chegar, a gente já via que havia erros e conseguiu reagir muito rápido. Fomos iterando, iterando, iterando até chegar na conversão que esperávamos. Foi uma vitória enorme: literalmente desde o primeiro dia conseguíamos ver exatamente onde as pessoas travavam e o que estava acontecendo.”
Medindo o valor de longo prazo: ativação, frequência e retenção
Para a Clip, o sucesso de produto não é definido por uma única métrica de downloads. A saúde do Tap to Pay é avaliada em três dimensões: ativação (a porcentagem de comerciantes que completam a primeira transação digital real), frequência (com que consistência os comerciantes transacionam, para separar usuários de longo prazo dos que só testaram uma vez) e retenção (a parcela de comerciantes ativos no primeiro mês que continuam ativos aos 30, 60 e 90 dias). Ao segmentar os funis por características do comerciante, o time identificou um padrão de "falhas silenciosas": comerciantes que abriam a tela do Tap to Pay repetidamente sem nunca completar uma transação, sem gerar nenhum erro no backend. A Mixpanel ajudou o time a descobrir que eram travamentos do app ou reinicializações em segundo plano, permitindo otimizar a interface a tempo e salvar essas contas do churn. Desde o lançamento do Tap to Pay, a Clip acelerou o crescimento em um segmento estratégico: comerciantes sem histórico prévio de transações digitais, que agora entram pela primeira vez na economia digital.
“Tirar a barreira para aceitar pagamentos significa que mais comerciantes têm acesso ao sistema digital.”
O que vem a seguir para a Clip
A Clip está estabelecendo um padrão em toda a empresa em que todo lançamento de produto é totalmente instrumentado desde o dia zero. O roadmap inclui expandir o acesso à Mixpanel para mais áreas do negócio, escalar a Root Cause Analysis automatizada para todos os fluxos transacionais centrais, e aprofundar o uso de analytics preditiva para passar de diagnósticos reativos para otimizações preditivas. Lucas também compartilhou três aprendizados para outros times de produto: instrumentar antes de lançar e depois iterar (não é preciso um tracking perfeito no primeiro dia — basta identificar as três ou quatro perguntas fundamentais e expandir a partir daí); investir em governança de dados cedo (eventos não documentados viram um gargalo quando o contexto fica só na cabeça de quem os construiu); e não confundir ter dados com ter uma cultura de dados (o que faz diferença é a disciplina de olhar os dados de forma consistente e ajustar o roadmap com base neles).
“O caminho está claro: queremos oferecer aos comerciantes mais simplicidade, com mais inteligência por trás. Cada interação que um comerciante tem com a Clip gera dados, e esses dados nos permitem oferecer soluções cada vez mais capazes.”



